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Animais na TV – Parte 1
Série de reportagens traz reflexão sobre o impacto do aparecimento de bichos na telinha
Assistir TV pode ser um momento de real prazer, entretenimento e até educação. Documentários com aspectos curiosos do mundo animal e da natureza estão entre as melhores opções. O quadro, porém, pode se inverter quando os bichos assumem papéis de coadjuvantes em comerciais, novelas, seriados ou programas de auditório. De gosto duvidoso e até perturbadoras, as imagens levantam questionamentos que remetem, entre outros, ao impacto das cenas em nossos filhos.
A ARCA Brasil há alguns anos vem questionando a exibição leviana e comercial dos animais pela mídia, em especial os silvestres. Um dos efeitos colaterais pode ser o estímulo ao consumo desses bichos, alimentando o comercio ilegal e o tráfico. Essa questão é tão importante, que no ultimo dia 02 de abril o IBAMA realizou o Workshop “Como os meio de comunicação podem colaborar para a proteção da fauna”, um alerta aos comunicadores sobre a urgência de rever posturas e apetites.
Olhar atento
“A Ana Maria Braga está com um papagaio no programa dela. Ah, mas não é um boneco? Não, agora é de verdade.” Louro José ganhou uma “filha” de carne e osso. Batizada de Lola pela audiência, a ave – presente de um criador comercial – contracenou com a apresentadora em algumas edições do seu programa durante o mês de maio.
Já na novela “Caras e Bocas”, exibida no horário das 19h20 pela Rede Globo, quem contracena com os atores é um chimpanzé, cuja habilidade como pintor de quadros é explorada por um dos personagens que mantém o bicho e confinamento para tirar vantagem dele. Apresentando comportamentos não naturais à sua espécie e pretensamente integrado a uma família de humanos, nosso mais próximo parente na natureza parece estranhar quando seus relativos se espantam diante de suas habilidades.
Nos programas “Bom Dia e Cia” e “Sábado Animado” do SBT, coelhos, ratos e porquinhos-da-índia participam de “brincadeiras” onde crianças por telefone apostam em corridas e outras competições. Eventualmente os apresentadores gritam ou empurram os bichos como estímulo, tudo no melhor espírito esportivo.
A publicidade também tem um apetite voraz na hora de utilizar animais para vender seus produtos. Um exemplo é a campanhas dos serviços de internet da Globo.com. Realizados pela agência W/Brasil, são mais de dez comerciais protagonizados por um bicho preguiça fazendo o papel de um humano preguiçoso. Já uma campanha da Bros.co para um serviço de venda pela internet, utiliza – de forma bastante questionável – pássaros da fauna silvestre brasileira, confira abaixo:
“Além de deseducativas e de mau-gosto, estas exibições criam uma visão de que o bicho é algo distante, mas que até pode ser transformado em mascote, nunca como um ser vivo, com necessidades próprias, que deve ser valorizado e do qual depende o futuro do planeta”, explica Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil. Ele lembra que em caso de maus-tratos a exibição passa a configurar crime, e ainda que o maior perigo está na exposição de animais silvestres.
Se você assistiu alguma cena questionável, em algum aspecto, com animais na televisão, escreva seu relato para a ARCA, contando como foi a exibição, em qual canal ocorreu e seus comentários a respeito... E não perca a próxima edição do Notícias da ARCA! Revelaremos como amenizar e prevenir os possíveis efeitos negativos dessas programações e porque o IBAMA continua deixando este tipo de exibição acontecer.
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