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Animais na TV – Parte 2
Saiba o que fazer quando assistir situações abusivas contra animais na TV e entenda a flexível postura do IBAMA neste assunto
A última edição do Notícias da ARCA abordou a polêmica sobre a utilização de animais em propagandas e programas da TV (confira). Agora você saberá como pode agir e qual é o papel do IBAMA neste contexto.
Estimativas otimistas apontam que o IBAMA consegue coibir apenas 10% do tráfico de animais silvestres no país. Ao mesmo tempo, por falhas nas leis, não se consegue manter os contraventores presos. O papagaio que fez um “bico” no programa “Mais Você” da Ana Maria Braga custa em torno de R$ 2.500,00, enquanto a mesmoa ave, de origem ilegal, custa dez vezes menos embora com muitas mortes a mais (para cada ave vendida, nove morrem durante o tráfico).
Segundo Airton De Grandes, assessor de comunicação do IBAMA e um dos organizadores do Workshop “Como os meio de comunicação podem colaborar para a proteção da fauna”, cada vez que um programa exibe animais silvestres reforçando características como “adequado para a companhia humana”, o órgão recebe uma infinidade de ligações perguntando como adquirir um bicho daqueles. “Se de fato comprarão um animal do tráfico, não posso afirmar, mas que esses programas aumentam o desejo de consumo de animais silvestres é inquestionável”, afirma o jornalista.
Para Luís Mauro de Sá Carneiro, sociólogo e professor de comunicação comparada da Faculdade Cásper Líbero, o papel dos pais é fundamental. “Uma criança que vê um animal silvestre no programa da Eliana pode pedir um bicho desses aos pais? Pode. Assim como roupas, doces e brinquedos. Talvez se eles responderem ‘não, filho, animais silvestres não são para ter em casa’, a questão esteja resolvida sem precisar mexer na TV”, ele analisa.
Papel do IBAMA
Nilde Lago Pinheiro, geógrafa e ex-superintendente do Ibama de São Paulo no início dos anos 1990, afirma que houve um retrocesso na atuação do órgão: “Hoje há uma maior liberalidade do Ibama sobre a aparição de animais na mídia, sejam eles exóticos ou de fauna brasileira”, comenta ela sobre os critérios do órgão para esses tipos de gravações.
“Na minha gestão, considerava-se maus-tratos qualquer ação que obrigasse o animal a ter comportamentos não naturais para sua espécie. Hoje temos aquele chimpanzé extremamente humanizado da novela”, compara ela. Para Nilde, a definição de maus-tratos na lei é pouco específica, tornando-se uma questão de interpretação pessoal.
A falta de precisão das leis também é apontada por Julio Isnard, publicitário e diretor da ARCA Brasil: “Nós temos leis rigorosas em relação à propaganda para crianças e de bebidas. As regras para os animais poderiam ser mais específicas e completas”. Para Denis Donaire Junior, advogado e membro da Comissão de Meio Ambiente da OAB, essa definição pode ser complexa: “Tipificar maus-tratos envolve componentes regionais que dependem do entendimento coletivo”. No entanto ele concorda que poderia haver uma punição para o ato de passar comportamentos não naturais aos animais silvestres.
Militância de resultados
A atuação de Nilde também foi marcada pelo veto a emissoras e produtoras de comerciais que pretendiam exibir animais. “Pressionávamos o Conar e como superintendente eu não autorizava. Geralmente quando algum bicho aparecia é porque a decisão tinha passado direto por Brasília.” Um dos casos mais notórios foi de uma propaganda do Chiclete Adams que utilizava chimpanzés legalizados, com custos avaliados em 1 milhão e que nunca foi ao ar.
No mesmo período, foi notória a atuação de alguns setores da proteção animal, como o Grupo Tucuxi, liderado pelo químico e professor Márcio Antonio Augelli, que também participou do episódio da Adams. Nessa época moveram ações contra os apresentadores Sílvio Santos, Gugu Liberato e Renato Aragão, e a própria Rede Globo (pela abertura da novela Mico Preto), entre outros, conseguindo impedir aparições de animais em condições degradantes. “Naquela época, ainda podíamos contar com a sensibilidade de pessoas como Cleide Cais (ex-Procuradora Chefe da República em São Paulo) e a Nilde. Hoje em dia eles deixam passar tudo.”, protesta Augelli.
O químico vai mais longe e desafia qualquer técnico do Ibama a provar que não é proibido exibir um animal silvestre fora do seu contexto natural com fins comerciais. De acordo com o químico, as leis não facilitam as contravenções e sim a postura do poder público. “Não há interesse do Ministério Público em acatar denúncias sobre a fauna em todos os sentidos e o Ibama é corrupto”, justifica.
Indignado com alguma forma de exibição de animais na TV? Denuncie e faça o seu protesto: |
- Confira a primeira parte da reportagem Animais na TV.
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