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Inclusão Social: um dos principais temas do Congresso Mundial
O programa Veterinário Solidário será apresentado ao mundo inteiro
Uma medicina veterinária cada vez mais avançada para atender um número cada vez menor de animais? O Brasil não pode entrar nessa maré que atinge países como os EUA. Facilitar o acesso da população ao atendimento veterinário é fator de inclusão social e fundamental para o bem-estar dos animais. Esse é um dos principais enfoques da ARCA Brasil durante o Congresso Mundial de Veterinária que acontece pela primeira vez no país.
Há algumas décadas ir ao dentista era um luxo para poucas famílias brasileiras. No país dos desdentados, agendar um horário já causava arrepios. Todos os anos, 10 mil profissionais entram no mercado de trabalho, hoje você encontra consultórios para todos os tipos e bolsos. Criou-se assim a cultura sobre o cuidado com os dentes, e aos poucos o acesso foi se democratizando.
A classe veterinária brasileira vive um momento de alerta. São muitos formandos para um público menor que dos colegas dentistas (proporcionalmente, são quatro vezes mais veterinários no país). A situação pode ficar mais difícil se esse profissional não enxergar na inclusão social um novo mercado de trabalho.
Postura profissional
Há mais de uma década a ARCA Brasil oferece subsídios para o veterinário, elemento chave para amenizar os problemas que atingem os animais, entre eles o controle populacional de cães e gatos. “A prefeitura, ONGs e os veterinários formaram uma aliança cujos frutos hoje se espalham por todo o país, incluindo capitais como São Paulo, Curitiba ou Porto Alegre” conta Marco Ciampi, presidente da entidade, sobre os trabalhos desenvolvidos na década de 90 (saiba mais).
Durante o Congresso Mundial WSAVA (veja abaixo) a ARCA apresentará ao mundo o potencial do projeto Veterinário Solidário, experiência que apontou dois caminhos para o envolvimento da sociedade com esses profissionais: conscientização para a posse responsável e controle populacional (castração).
O presidente da Anclivepa-SP, Marco Antônio Gioso aponta um dos maiores vilões dessa história, “o que falta é informação, saber a importância de se levar o animal ao veterinário”. Sobre a validade do projeto Veterinário Solidário, completa “acredito nessa fórmula pois falta informação de ambos os lados, o que um quer e o que o outro precisa”, defende Gioso.
A Dra. Camila Gespan, que atende no bairro Jardim Ângela, periferia de SP, concorda, “Muita gente só vacina o animal depois que eu explico o por quê e a importância da vacinação”, explica.
Já, combater os efeitos da superpopulação de cães e gatos é uma preocupação mundial. No Mississipi, Estados Unidos, 75% dos animais que vão parar nos abrigos morrem, de acordo com o professor da Universidade do Mississipi, Dr. Philip Bushby para a publicação Animal Sheltering. Embora não tenhamos a mesma precisão estatística, em nosso país a solução certamente passará pelas mãos dos veterinários.
Fazendo um simples cálculo: no estado de São Paulo existem 1.913 clínicas particulares, de acordo com o CRMV. Se metade fizesse 30 castrações por mês, um número baixo, teríamos 30 mil animais castrados por ano. Só a classe veterinária tem o potencial de elevar efetivamente essas cifras. Eles são profissionais preparados e além disso estão estruturados, prontos para agir.
Aqui no Brasil, o Veterinário Solidário Erik Rodrigues é um dos maiores expoentes dessa lógica. A partir da ação desenvolvida pela ARCA em Taboão da Serra, Grande SP, ele agarrou a oportunidade e hoje faz a diferença. “Foi uma grande experiência para a minha carreira, aprendi muito com cada caso e pude praticar bastante. A castração me ajudou a crescer profissionalmente”, completa Rodrigues.
Hoje o Dr. Erik chega a realizar até 1000 castrações por mês, entre o convênio com a Prefeitura de São Paulo, os mutirões que faz pelo interior do estado e na sua clínica em Embu, também na Grande SP. Um profissional bem-sucedido que soube aliar a vocação com o seu papel de cidadão.
A Veterinária Solidária Fernanda Conde reforça esse time e é categórica: “Hoje eu e minha família vivemos de castração”, afirma a profissional que realiza mais de 200 castrações por mês. O volume do procedimento cirúrgico geralmente ultrapassa o atendimento clínico.
Inclusão social, acessibilidade, responsabilidade social, são conceitos em evidência no mundo de hoje, muito mais do que modismo, são apostas numa mudança de paradigmas. Existe muito trabalho pela frente? Sim, mas a recompensa valerá a pena, isso a ARCA Brasil assegura.
WSAVA – 34º Congresso Mundial para Veterinários de Pequenos Animais Dias: 21 a 24 de julho 2009 |
- Matéria sobre clínicas periféricas e inclusão social para animais.
- Entrevista com Albino Beloto - palestrante do painel de Bem-Estar do 34° WSAVA.
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