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Julho de 2009

Rabichos

SP amplia programa de controle de para cães e gatos. Comemore, mas saiba o que ainda falta...

Após um período conturbado a Prefeitura de São Paulo apresentou seu plano de revitalização do órgão de controle de zoonoses da cidade, com o vistoso nome - Programa de Proteção e Bem-Estar de Cães e Gatos (Probem). A iniciativa, segundo publicações na imprensa, irá movimentar $9,2 milhões distribuídos em: R$ 1,3 milhão para construção do Núcleo de Proteção e Bem-Estar para Animais Abandonados, R$ 700 mil para reforma e descentralização do CCZ, R$ 3,4 milhões para atingir 100 mil castrações por ano e, uma quantia ainda maior, R$ 4 milhões para a campanha publicitária.

O momento é de celebração e a ARCA Brasil, que reconhece a importância dessa conquista (que é de todos), aproveita o momento para destacar os principais pontos que ainda não foram esclarecidos pelo programa lançado:

  1. No site oficial da Prefeitura não fica claro qual será a função do Núcleo de Proteção e Bem-Estar para Animais Abandonados, previsto para 2010. Um lugar onde os peludos aguardarão um novo lar? E aqueles que não tiverem esta sorte? Quantas vagas e quais serão os critérios para selecionar esses animais? Com certeza a fila será enorme!
  1. Descentralização: a Prefeitura construirá novos CCZ’s? Não é o que parece pela verba destinada. São Paulo, a maior cidade brasileira, tem apenas um CCZ para atender sua população, a cidade de San Diego (EUA), com uma população sete vezes menor, possui três centros. As novas unidades poderiam ter especializações – como educação, adoção, adestramento, centro eqüestre, controle de pragas, entre outros (LINK - http://www.arcabrasil.org.br/noticias/0905_ccz.html). Investir recursos na reforma, sem um planejamento efetivo, é desperdiçar dinheiro público e um momento valioso para o bem-estar animal.
  1. A campanha ganhou visibilidade, mas a ARCA Brasil acredita que investir mais na propaganda do que na castração – ferramenta mais eficaz para alcançar o controle populacional - é um erro de narciso. Para se atingir um equilíbrio é necessário que 70% da população seja esterilizada (castrada). Acima desta cifra a população diminui, abaixo, ela aumenta. No últimos 7 anos em SP, cerca de 70 mil animais foram castrados pela prefeitura, isso significa menos de 5% da meta. A única maneira de atingir um número realmente expressivo é envolver diretamente a classe veterinária nesse processo.
  1. Informar e sensibilizar as pessoas para o problema do abando é muito válido, entretanto lembramos que a Lei Municipal Nº 14.483 (LINK - http://www.arcabrasil.org.br/animais/legislacao/index.htm), que entre outros, obriga que os animais vendidos e doados sejam castrados, não é fiscalizada.
A conquista de uma cidade mais justa, com menos crueldade e livre do sofrimento animal, requer muitas ações como essa, envolvimento efetivo da população e vontade pública para implementá-la.


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Melhor faculdade de medicina do país ensina sem animais
Passados dois anos desde que o sacrifício de animais foi abolido no curso, professores e alunos da Ufrgs estão muito satisfeitos

O cãozinho é trazido do canil e chega faceiro; caminha até o grupo de alunos de medicina e lambe as pernas de um deles. O clima na sala fica pesado e ninguém quer anestesiar e cortar o bichinho. Alguns estudantes, constrangidos, ameaçam ir embora. Cenas como esta ou parecidas aconteceram por diversas vezes, nos muitos anos em que animais foram usados nas aulas práticas da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Famed/Ufrgs).

Era assim, anestesiando, cortando e costurando animais vivos (vivissecação), depois sacrificados, que os futuros médicos aprendiam as técnicas operatórias e outros conteúdos. Mas isto mudou em abril de 2007, quando a Famed tornou-se a primeira faculdade de medicina do Brasil a abolir totalmente o uso de animais no ensino de graduação, no que foi seguida logo depois pela Faculdade de Medicina do ABC (SP).

Não estamos falando de uma instituição qualquer: fundada há 111 anos, a Famed é considerada a melhor faculdade de medicina do país, tendo conquistado o primeiro lugar no Exame Nacional de Desempenho Estudantil de 2008 (Enade). O conflito ético foi o principal motivo para que o curso abandonasse a vivissecação, adotando o emprego de modelos anatômicos artificiais que imitam órgãos e tecidos humanos.

Aprovação dos alunos
Passados dois anos, a medida tem a total aprovação de alunos e professores, que garantem não haver nenhum prejuízo para o aprendizado médico. Aluna do quarto semestre, Sabrina de Noronha, 22 anos, diz que sequer pensava que pudesse haver a utilização de animais quando ingressou na medicina. Ela já cursou disciplinas importantes, como fisiologia, anatomia, bioquímica, histologia, onde aconteciam aulas práticas com vivissecação, e não precisou passar por esta experiência.

As aulas de anatomia, por exemplo, só utilizam cadáveres humanos. “Não tivemos contato com animais em nenhum momento. Fiquei sabendo há pouco tempo que outras faculdades usam animais e achei isso horrível; a faculdade existe para formar profissionais que vão ajudar pessoas e para isso não precisamos maltratar outros seres, não seria ético; a gente tem tanto direito à vida quanto eles (animais), não vejo diferença”, diz a aluna.

Abolimos o uso de animais porque hoje não se precisa mais disso”, destaca o diretor da Famed, o médico endocrinologista Mauro Antônio Czepielewski. Não faltaram razões, pois havia alunos que não concordavam com o sacrifício dos cães e outros bichos nas aulas. Além da questão ética, a pressão das entidades protetoras dos animais era cada vez maior, conta o diretor.

Modelos artificiais
A mudança foi bastante discutida, e resultou na implantação de um Laboratório de Técnica Operatória, que funciona apenas com réplicas artificiais das partes do corpo humano, explica o diretor. O projeto todo, com reforma de instalações e aquisição dos modelos, importados, custou cerca de R$ 300 mil, com recursos da própria Ufrgs, Famed, Hospital de Clínicas (o hospital universitário) e Promed, um programa do Ministério da Saúde que incentiva mudanças nos currículos dos cursos de medicina. 

O médico Geraldo S. Duarte, que deixou o cargo de diretor do Departamento de Cirurgia no início do mês, foi o responsável pela implantação do moderno laboratório. “Era uma deficiência grave do curso (a técnica operatória), tínhamos problemas para obter o animal, onde deixá-los, os cuidados pós-operatórios e o Ministério Público e as entidades protetoras vinham se manifestando, havia muitas objeções que criaram um conjunto de dificuldades”, relata.

O trabalho era considerado insalubre e aconteciam muitos acidentes biológicos (quando alunos se cortam acidentalmente), com risco de infecção pelo sangue dos animais. Agora, o local é totalmente asséptico, não se vê uma gota de sangue no espaço de 120 metros quadrados. Duarte mostra uma peça sintética que imita perfeitamente a pele humana, inclusive na textura, onde os alunos podem fazer e refazer várias vezes cortes superficiais ou profundos, costuras e pontos. E os acidentes não acontecem mais, o risco é zero, acrescenta.

“Há modelos artificiais para todos os tipos de treinamento, pode-se montar um laboratório gigantesco com eles”, diz Duarte. “Estamos muito satisfeitos, e os alunos muito mais”, completa.

“Isso qualificou enormemente os alunos”, reforça Mauro Czepielewski, o diretor do curso. Ele acredita que esta é uma tendência irreversível e que o emprego de modelos artificiais acabará chegando a todas as faculdades de medicina, em substituição aos animais. Diversos cursos, do Rio Grande do Sul e de outros estados, já pediram informações sobre o laboratório da Famed. “A consciência do não-uso de animais é importante para fortalecer uma visão de valorização da vida”, afirma.

Fonte: Adaptado da EcoAgência (Ulisses A. Nenê)


Lição dos animais: pit bull brinca com gato e pintinhos


Veterinária Solidária usa "jipão" para ajudar animais do interior de SP

O sonho de consumo da veterinária Amelia Margarido era um ter um jipão na garagem. No Dias das Mães do ano passado, ela se deu uma Land Rover de presente e pegou a estrada. Durante uma de suas viagens a mais de 100 km/h Amélia percebeu que, com um pouco de criatividade, poderia usar o carro para suprir a carência de atendimento veterinário em pequenas cidades do interior paulista, sobretudo aquelas em que a população não dispõe de nenhum veterinário nas proximidades.

Assim, surgiu o Veterinários na Estrada. Acompanhada de outros colegas de profissão, Amélia improvisa um consultório médico onde houver teto e parede. Se a cidadezinha visitada não tiver infra-estrutura, não tem problema, ela monta uma espécie de tenda, criada especialmente para ser usada com o jipão e onde há isolamento necessário para fazer as cirurgias de castração, sua principal propósito quando pega a estrada.  

“Como o meu objetivo é ir aonde ninguém vai, não há a desculpa de que não tem um lugar adequado para fazer o atendimento. É como um hospital de campanha em situação de guerra: arma a barraca onde tiver espaço e pronto”, afirma a veterinária que já viajou para Joanópolis e Igaratá, no interior de São Paulo, e para Maresias, no litoral paulista. São Tomé das Letras, já em Minas Gerais, foi a cidade mais longe para a qual o jipão e a equipe de Amélia viajou. 

“Na primeira vez que fomos lá, a gente não tinha nem energia elétrica”, relembra. O pré-atendimento era feito na rua e só as cirurgias eram feitas na cabana improvisada. 

Mutirão da castração
A mobilização nas cidadezinhas visitadas começa muito antes do jipão chegar por lá, conta Amélia. Protetores de animais voluntários divulgam com antecedência o mutirão da castração e tentam conscientizar a população, tanto urbana como rural, da importância de esterilizar cães e gatos para evitar a superpopulação desses animais pelas ruas.

O principal empecilho para a adesão total da população é a cobrança de uma taxa para castrar os cães e gatos, que varia de R$ 25 a R$ 50, dependendo do animal. As voluntárias contam que o dinheiro, que também vem de doações, é usado para cobrir as despesas com material cirúrgico, como lâminas, luvas, sedativo e seringa e esterilização e cobrir as cirurgias de castração em animais de quem não pode pagar.

“A gente faz de tudo e pede qualquer ajuda porque na zona rural há o hábito de castrar os animais a sangue frio, sem anestesia, e não há qualquer cuidado para evitar infecção”, conta Vera de Almeida, moradora de São Francisco Xavier, local da última viagem dos veterinários. 

Se o objetivo inicial é a castração, o exame clínico que antecede a cirurgia também serve para detectar outras doenças. Foi o caso de uma gata siamesa que chegou para ser castrada, mas se constatou que ela tinha parasitas subcutâneos maiores que um caroço de feijão.

A técnica de castração usada pela equipe é conhecida como “do gancho”. A veterinária Amélia explica que essa técnica é menos invasiva, pois faz uma incisão pouco maior que 1 cm, enquanto a castração convencional chega a fazer uma incisão de 10 cm. “É essencialmente técnica e precisa ter o dom da cirurgia, assim como se precisa ter um dom para escrever, atuar ou fotografar”, diz Amélia.

“A gente corta e invade o menos possível. É mais econômico para o veterinário e menos doloroso para o animal, que também se recupera mais rápido”, complementa a veterinária Anabela dos Santos.

Amélia Margarida é Veterinária Solidária da ARCA Brasil.

Fonte: Adaptado do G1 (Claudia Silveira)


Ongs protestam contra gaiolas em Israel

O Grupo Anônimo Israelense de Direitos dos Animais (Afar, sigla em inglês) lançou uma campanha contra a criação de frangos em gaiolas, divulgou o Jerusalem Post.

De acordo com Uri Lorber, um dos principais ativistas da Afar, o governo se comprometeu a construir novos sistemas de criação. "Há três anos atrás, o Ministério da Agricultura decidiu reformular toda a indústria de ovos do país. Granjas de poedeiras foram reconstruídas sem regulamentação para o bem-estar animal, . Estamos protestando contra isso", explicou.

A campanha gerou um site para educar o consumidor sobre os procedimentos utilizados na indústria de ovos. Um dos recursos visuais é uma simulação em 3D da vida de uma poedeira dentro da gaiola (veja mais).

Segundo o Ministério da Agricultura de Israel, o país cria frango exatamente da mesma maneira que o restante das nações desenvolvidas, utilizando os mesmo métodos. " No entanto, esse tipo de produção deve se tornar ilegal até 2012 na União Européia.

Lorber afirma que o governo não pretende mudar de posição. "Nós tentamos entrar em contato, mas até agora eles não estão dispostos a falar sobre o sistema de criação livre ou como melhorar o sistema de criação em gaiolas. Estamos pensando em aos tribunais".

Viste o site da Campanha Pelo Fim do Confinamento Intensivo Animal da ARCA Brasil e entre em ação contra a vida em gaiolas!


Fonte: Adaptado do Avicultura Industrial, com informações do World Poultry.


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