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Dezembro de 2009
Laudo técnico dá novos contornos ao caso
ARCA Brasil recebe em primeira mão o resultado sobre carnes apreendidas nos restaurantes dos coreanos
A Covisa (Coordenadoria de Vigilância em Saúde) revelou o resultado do exame do material apreendido em dois restaurantes coreanos no Bairro do Bom Retiro em novembro de 2009 (saiba mais). Surpreendentemente, os testes realizados na USP revelam que as carnes são de origem suína e bovina. Com isso, as investidas contra os comerciantes perdem força e as preocupações da população tomam novos rumos.
De acordo com o delegado Anderson Pires Gianpaoli, da 2ª Delegacia de Saúde Pública de São Paulo, que cuidou da investigação, já era esperado que os coreanos não guardassem as carnes suspeitas em seus freezers regulares, configurando em prova do crime cometido. O fato de os responsáveis pelo matadouro manterem o telefone dos restaurantes e vice-versa, somado a presença de pratos nos cardápios que incluem carne de cachorro, foram o suficiente para a ação da polícia que prendeu os quatro envolvidos em flagrante. No entanto, para o processo que está a cargo da Comarca de cidade de Suzano, o laudo das carnes dos restaurantes seria um elemento importante.
Gianpaoli explica que no caso dos 60 Kg de carne encontrados no matadouro, local que ficou um mês sob investigações, já havia um laudo da Covisa de Suzano atestando que a carne apreendida era de cachorro, portanto esse novo episódio não influência no caso do abatedouro ilegal. A expectativa do delegado é de que os quatro indivíduos presos em 12 novembro sejam condenados.
Restaurantes encerram atividades
De acordo com a assessoria de imprensa da Covisa, o órgão mandou técnicos ao local no dia 14 de dezembro e no dia 12 de janeiro, em ambas ocasiões encontraram os locais fechados por conta própria. “Se eles reabrirem, continuaremos fazendo o monitoramentos periódicos das carnes”, afirma Roberta Aflalo, do núcleo técnico de comunicação do órgão. Ela explica que o órgão possui uma técnica especializada na vistoria de restaurantes coreanos e chineses.
Aflalo ficou surpresa com o número de mensagens enviadas por leitores do Notícias da ARCA ao Covisa e disse considerar importante dar uma resposta a todas essas pessoas preocupadas com o bem-estar dos animais.
A reportagem publicada em dezembro teve repercussão internacional. Ramona Consunji, responsável pelas relações internacionais da ong Animal Welfare Coalition (AWC), nas Filipinas, entrou em contato com Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil, para discutir o assunto que é um problema freqüente naquele país.
Novos contornos
O episódio mostrou que a cidade de São Paulo, metrópole global que recebe imigrantes de todo o mundo e onde o abandono de cães e gatos é uma realidade, constitui cenário inquietante para os amantes dos animais. No caso da Covisa, prover e capacitar um corpo de fiscais aptos a vistoriar estabelecimentos de várias etnias e seus hábitos, é uma medida importante. Quanto à legislação, ficou patente a necessidade de uma renovação que dê instrumentos para agir em situações como essa, que se chocam com os valores da população brasileira.
É por isso a ARCA Brasil tem dialogado com órgãos governamentais, áreas técnicas e mantido contato com políticos reconhecidos por sua atuação pela causa dos animais. A entidade continuará acompanhando o episódio, informando seus leitores sobre o andamento das investigações e a punição dos envolvidos. Enquanto isso, o questionamento permanece: Nossos animais estão seguros?
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