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Dezembro de 2009

Latidos excessivos – 2º parte
O N.A tira as principais dúvidas sobre esse importante tema da relação homem – cão

Não tem jeito, quando os limites, desse que é um comportamento natural dos cães são ultrapassados, as conseqüências tornam-se danosas a todos. Qualquer barulho contínuo é perturbador, por isso leia a seleção das principais dúvidas dos leitores para amenizar a “falação canina”. 

Antes de ter orgulho ao ostentar o segundo lugar da maior população pet do mundo, os brasileiros não podem negligenciar um assunto que afeta a vida familiar, a convivência com a vizinhança e principalmente, os próprios animais.

“A tarefa exige muita paciência e disciplina, mas infelizmente nem todos se engajam e desistem antes da hora." adianta a Veterinária Solidária e especialista em comportamento animal, Dra. Rubia Burnier.

Em novembro a ARCA fez um especial apontando os principais motivos e o que fazer quando os cães latem em demasia.

Para esclarecer as suas últimas dúvidas, selecionamos os principais comentários e levamos à especialista Dra. Rubia Burnier, para tranqüilizar a sua vida e das pessoas ao redor.  

(*) Na primeira matéria Latidos excessivos, você também encontra dicas para resolver esse problema. Vale a pena conferir!

1. Solidão: “Eu tenho um schnauzer de 08 anos que late o dia todo quando estou trabalhando. Estou com problemas sérios com os vizinhos. Por favor, mande algumas dicas de como amenizar essa situação.” Cássia de Paula – Santo André/SP

Dra. Rubia Burnier: "Não deixe o cão sozinho por um período superior a 5 horas. Providencie alguém de confiança para cuidar do animal ou coloque-o em uma creche canina. Cães são animais sociais e não nasceram para viver sozinhos, pelo contrário, o que eles mais querem é ver sua matilha reunida.”

2. Questão territorial: “Meus dois cães latem muito quando passa alguém, e quando o gatinho que vive na rua e vem até o meu quintal. O que eu faço?” Sonia Cremonez – Nova Friburgo/RJ

Dra. Rubia Burnier: “Não deixe os cães na garagem, nem permita que tenham acesso a janelas, varandas e sacadas. Ao mesmo tempo providencie aulas de adestramento, terapia comportamental e socialização gradual e diária."

3. Terceira idade: “O meu cachorro já é velhinho e quando chego, ele fica chorando e latindo para chamar minha atenção. Comprei umas bolas e quando ele começa a chorar eu jogo várias vezes, assim evito que ele chore e se distraia com outra coisa. Estou agindo certo?”. Isabel Olivier – Manaus/AM

Dra. Rubia Burnier: "Sim. Na terceira idade (mais de 6 anos) eles mudam hábitos, humor e comportamento. Latir vira uma estratégia de defesa, pois a velhice deixa o animal inseguro e vulnerável, o que o torna mais carente e medroso, além de avesso a mudanças de rotina."
 
4. Late para uma pessoa: “O meu cachorro late pra a minha mãe que mora no mesmo quintal. Só de ouvir a voz dela começa a latir. Não agüento a minha mãe reclamando e a minha cachorra latindo, não sei mais o que fazer!”. Célia Zerio – São Paulo/SP

Dra. Rubia Burnier: "Os cães analisam sinais sutis que expressam as emoções das pessoas. As vezes eles identificam alguma coisa ameaçadora, um aroma esquisito, um gesto estranho, roupa escura, um guarda chuva, enfim, pode ser qualquer coisa que acione a memória do animal. A solução é socializar o cão e ajudá-lo a superar seus traumas e medos. Nesse caso é fundamental buscar ajuda de um especialista."

5. Late para outros animais: “Tenho um basset que late muito por causa dos outros três cachorros. Já recebemos duas notificações e os vizinhos atiram saquinhos de água nele. Gostaria de saber o que posso fazer para ele se acalmar?” Roselaine Muller – Canoas/RS

Dra. Rubia Burnier: "Quando tem mais de um cão em casa a presença da família acaba sendo o maior estimulo para os latidos, principalmente porque isso aumenta a competição entre os animais, desperta ciúme e favorece disputas por status dentro do grupo. É preciso inibir os latidos com broncas, garrafa pet com pedrinhas, jato de água no focinho dos latidores e, acima de tudo, controlar a ansiedade dos cães, separando-os por 15 minutos até que a poeira abaixe. A família tem que adotar uma postura firme e agir prontamente toda vez que os cães se excederem nos latidos.”

O direito de um acaba quando começa o direito do outro...

O desabafo a seguir é apenas um exemplo do que a ARCA Brasil recebe frequentemente: “O que fazer quando o autor dos latidos excessivos é o cachorro do seu vizinho que pouco se importa com isso? Já foram mandadas cartas de orientação e nada foi feito.” Paulo de Moraes – Guarulhos/SP

Atenção! Não seja como o vizinho do Paulo. Leve a sério o distúrbio dos latidos excessivos, respeite o sossego da vizinhança. Evite problemas com o condomínio e com a justiça.

Respeite a Lei da Vizinhança prevista no Código Civil (artigo 1277). Não faça barulho entre às 22h e 8h. Se você ama o seu bichinho, entenda que essa atitude não é normal, ele precisa ser tratado e você precisa mudar de postura.

Caso não consiga resolver o problema sozinho, peça ajuda a um especialista e deixe claro a vizinhança que está tomando providências. Não demonstre pouco caso. Há jurisprudência sobre essa situação e nem sempre a justiça beneficia o animal.

 

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