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Junho 2010

Confinamento Animal: Impactos da Pecuária no Meio Ambiente e Bem-Estar animal
Encontro inédito da Humane Society International sugere que nutrição é uma das chaves para conservar o ecossistema e a qualidade de vida

É cada vez mais certo: o que você escolhe como refeição tem impacto direto não apenas sobre sua saúde, mas sobre a dos animais e do planeta. No fim de semana de 29 de maio a Campanha pelo Fim do Confinamento Intensivo Animal realizou um evento inédito para discutir essa relação. O encontro “Impactos da Pecuária Brasileira no Meio Ambiente e no Bem-Estar Animal” foi promovido pela International Humane Society (HSI) com o apoio da ARCA Brasil e trouxe informações relevantes sobre o assunto.


Da esq. para a dir.: Marly Winckler,
Guilherme Carvalho, Rui Rocha e Paulo Maia.

“A pecuária industrial cria, transporta e abate 65 bilhões de animais por ano em todo o mundo, número muito superior a qualquer outra área da relação com os animais, como circos, indústrias de pesquisas e de cosméticos ou mesmo cães e gatos e o tráfico de animais silvestres. Apesar disso, são exatamente os animais de produção os mais negligenciados pelo grande público - e até mesmo por ONGs de proteção animal, ainda muito centradas nos animais ditos de companhia.”, comenta o biólogo Guilherme Carvalho, consultor da HSI e responsável pelo evento, voltado militantes e representantes de entidades de proteção animal. Durante a palestra ele falou sobre a realidade dos animais submetidos ao sistema de confinamento intensivo, entre eles, as galinhas poedeiras criadas em gaiolas em baterias e as porcas matrizes nas celas de gestação. Um documentário sobre o assunto produzido pela HSI foi exibido para a platéia (assista abaixo “O Confinamento Intensivo em 1 minuto”).



Uma das alternativas mais eficazes para sair desses sistemas é optar por alimentos produzidos de forma orgânica ou em regimes livres de gaiolas (saiba como escolher ovos produzidos com menos sofrimento). A outra, comprovadamente mais saudável e que envolve um menor custo, é a adoção da dieta vegetariana. Esse foi o tema da segunda palestra, “Impactos da Alimentação Centrada na Carne Sobre a Saúde, o Meio Ambiente e os Animais”, ministrada por Marly Winckler, presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB).

 

“Hoje é possível defender a alimentação sem carne com respaldo científico. A Associação Dietética Americana (ADA), órgão representativo dos nutricionistas dos Estados Unidos e Canada, confirma que dietas vegetarianas apropriadamente planejadas são saudáveis, adequadas em termos nutricionais e apresentam benefícios para saúde na prevenção e no tratamento de determinadas doenças”, explica Marly. Durante sua palestra, a ativista apresentou estudos de impacto feitos por associações médicas e nutricionistas demonstrando que a dieta vegetariana reduz o risco de doenças crônicas e degenerativas como: cardiopatias, câncer, diabetes, obesidade, osteoporose, doenças da vesícula biliar e hipertensão, além de aumentar a média da expectativa de vida em nove anos.

Rui Rocha, presidente do Instituto Floresta Viva, sediado em Ilhéus (BA) deu ênfase ao impacto da criação de gado de corte no meio ambiente. “Dados do Ministério de Tecnologia confirmam que a pecuária bovina, que usa hoje 199 milhões de hectares e faz do Brasil o 2º maior produtor do mundo, tem grande impacto na emissão de CO2, seja com o desmatamento gerado com a criação dos animais, seja com os gases de sua digestão.”, expôs o ambientalista. Ele, trouxe dados do Imazom (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) que fazem uma relação direta entre a criação do gado, o preço do produto e o desmatamento. Em anos em que a carne é valorizada, o desmatamento é ainda maior.

 


Rui Rocha: É necessário fazer projeções futuras com as mudanças que queremos fazer e o planeta que queremos ter.

Outra preocupação trazida por Rui é com a água gasta com as produções. “Esse é um tema muito delicado, que influencia nas flutuações climáticas. O microclima do cerrado, por exemplo, pode ser afetado pela expansão desordenada da pecuária no centro-oeste”, afirma. Para ele, a solução está em uma mudança de perspectivas: “É preciso recuperar o elo entre a sociedade rural e urbana e ao mesmo tempo mudar o sistema que permeia essas relações, baseado na produção industrial”.

E sobre a comunicação e seu papel para levar essas possibilidades de uma vida mais saudável e humana ao maior número de pessoas possível, Paulo Maia, ambientalista e jornalista desenvolveu a palestra “A mídia como ferramenta de formação de massa crítica a respeito dos impactos da pecuária”.

Quem não esteve presente, mas tem interesse em participar do tema, pode fazê-lo pela internet. “O grupo de trabalho formado no encontro que está de braços abertos para novos participantes na página www.meetup.com/hsibrasil”, convida Guilherme Carvalho.

 

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