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Julho 2010
Quem fiscaliza os pet shops do país?
Movimentando R$9,6 bilhões por ano, o fenômeno pet fez do Brasil um dos maiores mercados do mundo. Mesmo com tanto crescimento, o setor ainda não recebe a devida atenção.
Eles estão na maioria das cidades brasileiras. As opções são inúmeras e atingem desde o público A e B, quando C e D. São tratamentos diferenciados, preços mais salgados, promoções, comodidade para os donos. No entanto, o grande número de pet shops não garante qualidade no atendimento e o pior, muitas vezes desrespeita os preceitos básicos do bem estar animal.
Pet shops são, de acordo com o Decreto Estadual paulista nº 40.400, “lojas destinadas ao comércio de animais, produtos de uso veterinários (exceto medicamentos), podendo ser praticada a tosa e banho de animais de estimação”. Os maus tratos geralmente acontecem quando os chamados tosadores e banhistas, sem qualificação, trabalham diretamente com os animais. Você confia em quem cuida do seu bichinho de estimação?
Dinheiro certo, profissionalismo incerto?
Atraídos pela promessa de um mercado promissor muitos entram na área em busca do “eldorado pet”, visando altos lucros sem a necessidade de um grande investimento financeiro e pessoal. Mas a busca pelo dinheiro “fácil” acaba atraindo empreendedores de todo gênero, até os que não sabem lidar com os peludos.
“Infelizmente qualquer pessoa pode ter um pet shop, mas ela deve ter consciência de que é um negócio que envolve conhecimento técnico, administrativo, disposição para aprender e para crescer como profissional e como gestor de uma equipe que, muitas vezes, apresenta sérios problemas de formação técnica inicial”, pontua o médico veterinário e consultor em negócios veterinários, Dr. Sergio Lobato.
A oferta de mão de obra e interessados em ingressar na área é grande, mas encontrar pessoas realmente capacitadas é um grande desafio, já que a profissão não é regulamentada. “Não cabe ao CRMV fiscalizar essa questão. Mas toda e qualquer escola que ofereça esses cursos deve ser registrada neste conselho e possuir um médico veterinário como responsável técnico”, esclarece a assessora de imprensa do Conselho de Medicina Veterinária de SP, Thais Cardoso.
Mas afinal, quem zela pela qualidade do atendimento dos pets brasileiros?
“Não existe nenhuma formação técnica com um programa qualificado realmente focado nas necessidades do mercado pet, assim como não existe motivação e preocupação do empreendedor em qualificar seus funcionários, muitos até consideram perda de tempo. Essa miopia gerencial os coloca em limites perigosos onde a negligência, imprudência e imperícia passam a reinar”, alfineta o experiente consultor Sergio Lobato, que há 10 anos estuda o setor.
“Visite nossa cozinha”
Os paulistas podem fazer denuncias ao CRMV-SP. “Devem ser por escrito, com identificação do denunciante e algum tipo de comprovação de maus tratos. Se o denunciado for médico veterinário, o Conselho instaura um processo ético profissional. Caso seja um tosador, ajudante ou mesmo o proprietário do pet shop, o caso é enviado ao Ministério Público e à Polícia Civil”, explica a assessora do órgão.
Os moradores de Santos, cidade litorânea de São Paulo, também podem recorrer a Coordenadoria de Proteção Animal. “Geralmente a reclamação diz respeito a funcionários que não sabem tosar corretamente e acomodação em gaiolas* inadequadas”, afirmou o fiscal de proteção animal, Andre Leandro da Silva Nascimento, que há dois anos assumiu o cargo.
Antes de escolher o pet shop você pode consultar se o estabelecimento possuí registro no CRMV-SP. A consulta pode ser com o nome, número ou cidade no próprio site do Conselho. “Os estabelecimentos registrados devem exibir o certificado de regularidade emitido pelo Conselho sempre à mostra. Qualquer consumidor tem o direito de exigir esse certificado”, completa Thaís Cardoso. Caso o pet shop que você freqüenta não possua o registro, faça a denúncia.
Mesmo assim Sergio Lobato é categórico: “A pretensa fiscalização existente, ou é falha ou é antiquada, desconforme com a realidade e infelizmente torna-se porta para atitudes não tão éticas por parte de fiscais e de lojistas”, e completa: “faltam treinamentos multidisciplinares que abordem temas que façam realmente parte do dia a dia dos profissionais”.
Entre esse fogo cruzado o que não pode é o animal ficar a mercê de maus profissionais e empresários inescrupulosos. “Uma saída para diminuir suspeitas e atitudes anti-profissionais, é incentivar uma política no estilo visite a nossa cozinha. Ser transparente é a melhor maneira de atestar ao dono do bicho que o atendimento segue a risca os preceitos do bem estar animal”, sugere o presidente da ARCA Brasil, Marco Ciampi.
Atitude que a revisora de textos, Aleidis de Beltran tomou após reclamar sobre uma tosa mal feita com o proprietário do pet shop. “Ele não se abalou. Disse simplesmente que fosse a outra loja, onde outro funcionário era responsável pela tosa”. Hoje ela adota um novo critério na hora da escolha. “Só levo onde posso assistir o banho. Não saio de perto e espero terminar”, finaliza Aleidis, dona do yorkshire Kiko.
O que diz a lei: O Decreto Estadual nº 40.400 determina que as instalações mínimas para o funcionamento de pet shops são: No caso das gaiolas*, o decreto determina que ela “deve ser construída em metal inoxidável ou com pintura anti-ferruginosa; não pode ser superposta a outra gaiola nem o escoamento das águas servidas pode comunicar-se diretamente com outra gaiola”. Para a leitura na íntegra, acesse! |
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