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Julho 2010
Queimadinho, mais uma vítima entre tantas
O caso do cavalo queimado no RJ chama a atenção para o dilema dos eqüinos no país. Em SP duas mulheres promovem a adoção de animais explorados que são recolhidos pelo CCZ.
No dia 04 de abril um simpático pangaré, nome dado aos cavalos sem raça definida, de 4 anos pastava no terreno do seu dono quando foi vitima de uma ação covarde e extremamente cruel. O suspeito é um adolescente de 16 anos que ao voltar para casa após uma festa teria ateado fogo no animal que pastava em um terreno em Belford Roxo, bairro da Baixada Fluminense no Rio de Janeiro.
A história chama atenção pela crueldade gratuita e se assemelha com o episódio Cão de Quintão, onde menores de idade mataram um vira-lata a pauladas, filmaram e postaram o vídeo na Internet.
Felizmente nesse caso o animal sobreviveu. A batalha foi longa, socorrido Queimadinho sofreu duas paradas cardíacas e teve 75% do corpo queimado. De acordo com os próprios veterinários, o temperamento dócil facilitou o intenso tratamento - os curativos são feitos três vezes ao dia e cada procedimento leva 2 horas, rotina seguida à risca pelos profissionais que estão cuidando do valente cavalo.
Hoje Queimadinho vive e recebe um tratamento especial no Batalhão da Polícia montada do Rio de Janeiro e se prepara para ser um dos destaques no desfile de 7 de Setembro. Finalmente, depois de tanto sofrimento o querido pangaré parece estar conquistando seu merecido final feliz.
Em busca de mais histórias felizes
Enquanto isso em São Paulo, há 430km de distância, Cynthia Fonseca batalha para promover a adoção de cavalos recolhidos pelo CCZ, encontrados em vias públicas ou vítimas de maus tratos, respeitando as leis municipais 11.887 e 10.309.
Os resgatados permanecem no CCZ por cinco dias úteis aguardando que o antigo dono reapareça e pague uma multa, o que é raro acontecer. Então o animal é examinado e após o prazo colocado para adoção.
É nessa hora que Cynthia, que abandonou a odontologia e começou estudar veterinária, entra em ação. “Os animais chegam desnutridos, infestados de parasitas, doentes, feridos, exaustos e até mutilados. Nessas situações precisam de assistência veterinária e alimentação de qualidade. Só depois se tornam aptos a adoção”, explica Cynthia Fonseca.
Não é qualquer um que pode adotar um cavalo, a exigência precisa ser alta para anular qualquer risco de maus-tratos, já que esses animais, em sua grande maioria, não tiveram uma trajetória de vida tranqüila.
O interessado deve assinar um termo de fiel depositário, o que não o torna proprietário e sim responsável pelo bicho. Ter uma propriedade rural e garantir a aposentadoria do animal, arcando com despesas de alimentação, medicamentos e consultas. É importante que o novo tutor possa custear o valor do transporte.
Outro ponto importante é respeitar os casos “amadrinhados”, situação que Cynthia leva a risca. “São duplas que vieram de uma mesma origem, têm vínculos, relação de dependência onde um não vive sem o outro. Quem leva um vai tem que levar o outro também”, reforça.
Seja qual for a situação, assim como cães e gatos, os Queimadinhos espalhados por aí também precisam de muito amor e dedicação. Felizmente todos os cavalos que estão hoje no CCZ de São Paulo já têm um rumo certo, mas as portas estão sempre abertas para futuras adoções ou ajuda com medicamentos ou gastos com transporte.
Mais informações
Cynthia Fonseca: cciasca@ajato.com.br
CCZ de São Paulo: (11) 3397-8900 e 3397-8901
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