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Julho de 2010
Rabichos
Finalmente SP ganha um Núcleo de Esterilização Cirúrgica e Vacinação
A região de São Mateus, na zona leste da capital paulista, ganhou na última segunda-feira (12) o primeiro centro cirúrgico descentralizado do CCZ para a realização de castrações gratuitas em cães e gatos.
O novo local visa ampliar as cirurgias de esterilização, que hoje são realizadas por meio de parcerias e convênios com ONGs e clínicas veterinárias, e vacinar gratuitamente contra a raiva cães e gatos.
A ARCA Brasil recorda que há um ano comemorávamos a criação do vistoso Programa de Proteção e Bem-Estar de Cães e Gatos (Probem). Infelizmente as ressalvas feitas na época eram procedentes. A vital descentralização do CCZ, pregada pela ARCA a mais de uma década, após 12 meses resultou de concreto no único Núcleo de São Mateus.
Das promessas originais e da inédita verba de R$9,2 milhões, restam o esperado Núcleo de Proteção e Bem-Estar para Animais Abandonados, previsto para 2010 e a ambiciosa meta de castrar 100 mil animais ao ano (em 2009 apenas 42 mil foram esterilizados).
É importante registrar que essas demoras denotam falta de coordenação e parecem mirar a simpatia da população em um ano eleitoral. Lamentável que uma verba tão promissora (R$9,2 milhões) e que tanto custou para ser conquistada pelo movimento de proteção animal, viesse a se perder em um cenário de tristes carências que só aumentam a cada dia.
“Muita vontade pública, contratações, treinamento da equipe, compra de equipamentos, informatização dos serviços. Somente estas medidas, acompanhadas de uma grande ação educativa junto à população poderão, em médio prazo, resolver o problema do abandono em uma metrópole como São Paulo”, resume Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil e especialista em programas de controle ético das populações de cães e gatos.
Consultamos os sites do Probem e do CCZ e até o momento não encontramos nenhum telefone do novo Núcleo de São Mateus, somente o endereço. Resta aos interessados, entrar em contato com o próprio CCZ de São Paulo.
Núcleos de Esterilização Cirúrgica e Vacinação
Rua Mauro Bonafé Pauletti, 199, Jardim Três Marias.
Telefones do CCZ: 3397-8900 e 3397-8901 / Plantão 24 horas: 3397-8955 e 3397-8956.
Saiba mais:
CCZ de São Paulo: uma crise anunciada: http://www.arcabrasil.org.br/noticias/0905_ccz.html
Vira-latas são os cães preferidos dos paulistanos
Eles não são puros e têm histórico de passagem pelas ruas. Seu nome é associado ao lixo e aparece no dicionário como sinônimo de "sem classe, sem vergonha". Ainda assim, e talvez com a ajuda de uma abanadinha de rabo, os vira-latas conseguiram driblar a má fama: estão na moda e fazem companhia a milhares de moradores da cidade, de todas as classes sociais.
Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha, é esse o cão mais comum na casa das famílias paulistanas. O levantamento entrevistou 613 pessoas, numa amostra representativa da população de São Paulo com 16 anos ou mais.
Por ser fruto de uma mistura de raças, o vira-lata tem características muito mais variadas do que qualquer cachorro puro. Mas, na aparência física, é possível identificar um perfil médio: a maioria pesa de 10 kg a 20 kg, tem pelo curto e cor escura --é o pretinho básico, como chamam alguns protetores de animais.
Para o zootecnista e especialista em comportamento animal Alexandre Rossi, autor do livro "Adestramento Inteligente" (ed. Saraiva; 240 págs., R$ 31,40, 2009), o porte médio ajuda a sobreviver nas ruas. "Ele não é tão grande a ponto de demandar muito alimento nem tão pequeno a ponto de ser indefeso em brigas e perder na competição com outros machos para cruzar", explica.
O comportamento também muda substancialmente de um vira-lata para o outro, mas aqueles que passaram pela rua costumam ser mais espertos do que os criados em casas ou apartamentos. "O animal que passou pela rua teve que se virar, ou não estaria vivo", diz o veterinário Wilson Grassi, diretor da Anclivepa (Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais) e gerente-executivo do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal.
Segundo Alexandre Rossi, a mistura de raças costuma "produzir" um cão com competências mais equilibradas. Enquanto um animal puro pode ter mais aptidão para guarda e outro para companhia, por exemplo, o vira-lata teria uma média entre as habilidades --o que também o torna menos previsível, uma desvantagem na opinião de algumas pessoas.
A genética explica também por que os vira-latas, conhecidos como SRD (sem raça definida), são mais resistentes a doenças. Existem problemas de saúde determinados por genes recessivos, que devem estar presentes em dupla para que as complicações se manifestem.
Enquanto os animais mais puros têm mais tendência de portar os dois genes, estes acabam sendo "diluídos" com a mistura de raças.
Um problema que vem aumentando em cães de raça nos últimos cinco anos, por exemplo, é a alergia, segundo Roberto Monteleone, veterinário de pequenos animais há mais de 30 anos. "Há criadores que cruzam animais aparentados. Muitos nascem com imunodeficiência e pegam infecções com facilidade. No caso do vira-lata, há uma chance muito menor de que isso aconteça."
Outra explicação é a própria seleção natural. Quando o cachorro é de raça, acaba procriando mesmo não sendo muito saudável, pois recebe mais cuidados. Já na rua só procriam os vira-latas mais fortes, que sobrevivem às condições adversas e, por isso, geram filhotes mais resistentes.
Isso não quer dizer, no entanto, que eles precisem de menos cuidados do que um cão de raça. "Tem que vacinar, levar ao veterinário, dar boa alimentação. É um cão como outro qualquer", alerta Cida Lellis, presidente da ONG Clube dos Vira-Latas.
São Paulo
Segundo o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) de São Paulo, há 2,5 milhões de cachorros domiciliados na cidade. O número vem crescendo, em média, 6% ao ano, e estima-se que, em 2020, atinja 4,5 milhões. Os dados são de uma pesquisa que vai virar livro, feita pela USP de 2007 a 2009 em parceria com o CCZ e com regionais de saúde. Foram visitados quase 12 mil domicílios.
O professor de veterinária Ricardo Dias, autor do estudo, diz que não surpreende saber que o SRD é o cão mais comum. "Vimos que só 26% dos cachorros foram comprados. O restante foi adotado", diz.
A adoção dos sem raça, aliás, está virando moda entre paulistanos de classes mais altas, e agora eles dividem espaço com primos "ricos" como poodles, lhasas e labradores. "Os animais de rua não ficam mais só na periferia. Temos visto muito mais vira-latas nos parques, junto com os cães de raça", afirma a veterinária Cíntia Tonelli, fundadora da ONG Vira-Lata É Dez.
Em 2003, quando foi criada, a entidade conseguia doar quatro cães por mês --hoje são cerca de 16. O problema é que eles também têm tido mais animais para recolher.
Desde 2008, não é mais permitido, no Estado de São Paulo, sacrificar animais apenas por estarem na rua -a eutanásia só pode ser feita em casos extremos, de doenças incuráveis ou infectocontagiosas. Os animais recolhidos pelo CCZ ficam disponíveis para adoção --são doados, em média, 50 por mês.
A ONG Clube dos Vira-Latas é outra que aumentou as doações: eram cerca de dez por mês há cinco anos e agora são entre 40 e 50. "As pessoas estão acordando para o problema dos animais abandonados na cidade e vendo que o bicho não precisa ser comprado e ter raça", diz Cida Lellis.
Mas os adotantes ainda procuram perfis específicos: filhotes, de porte pequeno, peludinhos e que não sejam pretos, justo o contrário da maioria dos cães que estão nos abrigos. Casais jovens, com ou sem filhos, são os adotantes mais comuns na cidade de São Paulo.
Fonte: Folha de São Paulo
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