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Dezembro 2010

Fada madrinha dá final feliz à aventura de cadelinha perdida em SP
Apesar do RGA, dados da cachorra não constavam no sistema da prefeitura. Persistência de protetora fez CCZ reagir e garantiu reencontro

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VANESSA GONZALEZ
em colaboração para o Notícias da ARCA

“Encontrei a Frida perdida em uma praça em Pinheiros (SP), com boa aparência e até cheirosa. Notei que usava colerinha com o RGA (Registro Geral Animal) onde consta o telefone do CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) no verso. Consegui o número correto pelo 102 e um funcionário me informou que o que estava na colerinha era o telefone antigo.”

Esse é apenas o começo da absurda e comovente história de Frida, a cadelinha perdida, e da especialista em segurança privada Alessandra Prandi, a protetora que não desistiu diante das dificuldades e se tornou um verdadeiro anjo da guarda dessa viralatinha. O incrível relato nos leva a refletir sobre os ajustes necessários para que o RGA funcione como se espera. E, de fato, ajude os animais.

 

Sequencia de erros
O telefone do CCZ da maior cidade do país, São Paulo, estampado na plaqueta de identificação de seus animais, não pode ser simplesmente trocado. Uma gravação informando o novo número seria uma maneira minimamente respeitosa de orientar pessoas como Alessandra, disposta a ajudar um bicho perdido. “Até então não sabia se aquele telefone que dava como inexistente era do dono ou do CCZ”, conta.

Quando finalmente conseguiu falar com o CCZ e passar o número do RGA de Frida, Alessandra começou a ficar preocupada. “O funcionário disse que localizaria o proprietário até o final da tarde, mas o dia passou e nada. Liguei de novo e fui informada que não estavam encontrando os dados porque tinham muitas fichas sem cadastrar e a dela precisaria ser localizada manualmente, o que demoraria mais”.

Com Frida a tiracolo por onde andava – a profissional não podia levá-la para casa por ter duas cachorras –, Alessandra resolveu hospedá-la em um hotelzinho.

“No dia seguinte entrei em contato outra vez, mas ainda não tinham encontrado a ficha. Assim foi por quase duas semanas. Todos os dias ligava mais de uma vez, até que me disseram que a ficha não seria localizada e que, se quisesse o CCZ iria buscá-la.” Alessandra, a essa altura já envolvida com a situação, se negou.

Donos desesperados
A ARCA sempre defendeu a importância da identificação e do registro animal como ferramenta auxiliar no planejamento das políticas públicas para conhecer, dimensionar, monitorar e, quando necessário, responsabilizar proprietários.

Na cidade de São Paulo, o registro de cães e gatos (Lei Municipal 13.131/01) é obrigatório, determinação seguida pelos tutores de Frida, a promotora de eventos e empresária Maria Emilia Merici e seu filho, o universitário Amos Puccini, que a adotaram na UIPA. Eles saíram do abrigo com a mascote registrada, mas quando mais precisaram da ferramenta ela não funcionou. “Eu tinha certeza que o RGA funcionava, é uma documentação do animal. Fiquei decepcionada com o que aconteceu, já tinha perdido a esperança”, desabafa Maria Emilia.

Do outro lado, diante da negligência do CCZ paulistano, Alessandra começou a percorrer os petshops do bairro e durante suas caminhadas, escutou muitas histórias. “Contaram casos semelhantes, animais com RGA que não conseguiram localizar o dono, tutores que encontravam seus animais no CCZ com RGA, mas ninguém havia entrado em contato para avisar que estava na zoonoses”.

Percebendo os inúmeros tropeços do órgão, que vale relembrar, é um só para atender uma cidade com mais de 11 milhões de habitantes, Alessandra, mais aflita, procurou a ARCA Brasil

“O Marco Ciampi [presidente da ARCA] me orientou a ir atrás do autor da lei, o vereador Ricardo Trípoli. Conversei com sua advogada, que me contou de um processo contra o CCZ sobre a morte de um cachorro com RGA que estava na zoonoses”. Imaginando o que poderia ter acontecido com Frida e já cansada, Alessandra ligou para o CCZ pela última vez. 

Reencontro
“Já iria completar um mês que ela estava perdida! Liguei muito indignada e disse que iria processar o CCZ, procurar a mídia, que eles tinham falta de vontade, de competência e etc. Incrivelmente no dia seguinte, ao meio dia, me ligaram e disseram que haviam encontrado a ficha perdida na UIPA”, recorda.

Assim que descobriu quem eram os donos de Frida, Alessandra correu para o endereço e apaziguou o coração de Amos Puccini. A mascote dava pulos de alegria no momento do reencontro. “Foi uma grande alegria, é muito bom saber que existem pessoas tão boas no mundo”, disse Maria Emilia, que avalia se irá tomar providências sobre o caso, “estamos pensando em entrar com uma ação contra o CCZ”.

Sem a boa vontade, perseverança e determinação de Alessandra, Frida e sua família jamais se reencontrariam. Mas até quando os animais terão que contar com a sorte de topar com uma fada madrinha para um final feliz? Se, para o RGA ser a ferramenta tão esperada o CCZ precisa de ajuda, por que o órgão não expõe suas necessidades? Voluntários e interessados não iriam faltar. Infelizmente o poder público padece de transparência e até de uma certa dose de humildade para assumir que não dá conta de tudo.

Aliás, essa época do ano exige atenção redobrada: com ou sem RGA, grave o telefone fixo e celular na plaqueta do seu pet.

* O CCZ de São Paulo foi procurado pela ARCA Brasil, mas até o fechamento da matéria  não se manifestou.

Saiba mais: Identificação e Registro Animal

 

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