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Tragédia no RJ
Os animais – ainda – pedem socorro
Quase dois meses após a catástrofe natural que atingiu a região serrana do RJ, a vida segue em meio ao caos e ao descaso das autoridades. Os holofotes se apagaram, e agora?!
da redação do Notícias da ARCA
Quando um assunto perde importância na mídia temos a falsa impressão de que o problema foi resolvido. A realidade, infelizmente, é outra. Enquanto dá audiência, ganha espaço e destaque. Passada esta fase, sobram ascicatrizes e o pior, o esquecimento!
Nos últimos dois meses a ARCA Brasil manteve contato com a OSCIP Combina - Companhia dos Bichos e da Natureza e sua presidente, Juliana da Mata, para acompanhar como a situação estava evoluindo em Nova Friburgo e região, desde a ajuda enviada, com a colaboração das Empresas Amigas dos Animais®.
“Não estamos nada bem. O poder público, que recebeu tanta verba, não está fazendo nada e o animal, é sempre o último da fila de prioridades”, desabafa Juliana.
Cadê o dinheiro? Cadê a ação?
Vale destacar algumas quantias que impressionam e foram divulgadas na Agência Brasil: o Governo Federal liberou R$100 milhões para os municípios atingidos na região serrana; a segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), terá R$ 11 bilhões para obras de contenção de encostas e drenagem; e o programa Minha Casa, Minha Vida investirá R$ 170 milhões para a remoção de famílias que moram em áreas de risco ou que tenham sido desabrigadas por desastres naturais.
A mídia noticiou pontos de coletas de roupas, alimentos, produtos de limpeza, higiene, além das contas bancárias das cidades atingidas. A mobilização nacional foi imediata, com doações em dinheiro e itens de urgência. Segundo Juliana, a cada dia um grupo vai até a prefeitura de Nova Friburgo reivindicar alguma ajuda.
Cenário
Hoje, a grande preocupação da OSCIP não é ração e medicamentos, mas a condição da estrutura dos prédios que está comprometida, representando uma ameaça cada dia mais evidente. “Cinco canis caíram, perdemos muitos animais no dia, mas agora corremos o risco da estrutura desmoronar. Para piorar continua chovendo, por isso precisamos de uma obra de emergência” relata.
E o que já está difícil, fica ainda pior no escuro. Desde a tragédia (12 de janeiro), a Combina - Companhia dos Bichos e da Natureza que cuida de cerca de 270 animais, está sem luz. “Retiraram o relógio que registra o consumo e não deram previsão de volta. Pra contornar o problema estamos trabalhando com luminárias de emergência”, conta Juliana.
A vida não está nada fácil para os cidadãos, protetores e animais da região. A poeira ainda incomoda, muitas casas estão com a estrutura abalada, aumentaram os casos de leptospirose (89 registros até o dia 23 de fevereiro), e o poder público, por sua vez, parece estar perdido e desorganizado diante dos fatos.
Apesar de enfrentar tantas dificuldades, Juliana diz qual é a sua maior preocupação atual: “Tem muito, mas muito animal perdido, abandonado andando pelas ruas. Encontro grupos de cães sem rumo em estradas, longe de tudo. Muitos já foram atropelados e mortos, é muito triste”. A presidente, que não tem mais condições de recolher bichos, às vezes não consegue fechar os olhos. “Ontem resgatei um na estrada, ele estava correndo risco no meio dos carros” – o coração sempre fala mais alto.
Veterinárias em ação
Duas residentes da FMVZ-SP, com nomes praticamente iguais, Priscila Pedra e Priscila Rocha Yanai, vão dividir uma experiência única em prol dos animais em Teresópolis, cidade também atingida na região. As veterinárias foram escolhidas pela Kinship Circle, entidade humanitária norte-americana, para se juntar a um grupo de voluntários estrangeiros no socorro aos animais em situação de risco.
Animadas com a oportunidade, pediram ajuda ao professor, Dr. Marco Antonio Gioso, que recorreu a ARCA Brasil para o apoio financeiro. “Essa mobilização é extremamente bem vinda, estou certo que a ajuda profissional será muito útil para os animais da região serrana do RJ”, celebra Marco Ciampi, presidente da ARCA, que completa, “não há como ficar alheio, de braços cruzados”. A entidade financiará parte das despesas para que as duas jovens possam atuar no auxílio às vítimas sem outras preocupações.
“As atividades do dia serão distribuídas pelo coordenador da equipe e incluem triagem e tratamento dos que estão no abrigo (entre 200 a 300 cães) e de outros que estão com protetores” explica a Dra. Priscila Rocha Yanai.
Apesar do foco do trabalho ser em Teresópolis, o grupo, por intermédio da ARCA, tentará passar em Nova Friburgo para oferecer ajuda a Juliana e a ONG Combina.
“Agradecemos muito à ARCA Brasil pelo apoio e torcemos para que as pessoas continuem ajudando. Certamente as consequências deste desastre ainda afetarão a vida das pessoas e dos animais da região por muito tempo ainda”, finaliza Dra. Priscila.
| * A ARCA Brasil continua vigilante e acompanhando a situação dos animais na região Serrana do RJ. Palavras como organização e planejamento ganham importância quando ocorrem desastres, naturais ou não. Nada desculpa a ausência de um plano de ação para socorrer os humanos e seus animais naquela região serrana do Rio de Janeiro. |
Saiba mais: Solidariedade pelos bichos
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