Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal English


.Cadastre-se agora e receba .o Notícias da ARCA!

..Nome:
.

..E-mail:
.

..


Selo Empresa Amiga dos Animais
Conheça as Empresas Amigas dos Animais ®


Parceria
internacional de:






IFAW


Reprodução de conteúdos
.
Estimulamos a reprodução de nossos conteúdos, desde que na íntegra, com créditos para a ong, ao autor (quando houver) e link para o site da ARCA
notificando para
arcabrasil@
arcabrasil.org.br

Edições de texto devem ser previamente
consultadas. Não é permitida a
reprodução de fotos.


Questões Frequentes

Quer saber como denunciar maus-tratos ou o que fazer diante de um animal abandonado? Onde castrar seu animal por um preço reduzido e como conduzir problemas com o seu condomínio?
Clique aqui para resolver as suas principais dúvidas!


Março 2011

Capivaras de Campinas
O episódio da morte desses animais mostra que a migração para as grandes cidades marginaliza e expõe a riscos. O que está por trás do maior roedor da terra? Bookmark and Share

da redação do Notícias da ARCA

 

Nos últimos dias as capivaras ganharam destaque na mídia e principalmente entre os protetores, depois que 13 desses animais foram mortos no parque Lago do Café, área verde de 300 mil m2 em Campinas, uma das principais cidades do Estado de São Paulo. De acordo com protetores, a prefeitura agiu de forma precipitada, obscura e na calada da noite. Para o secretário de saúde do município, se tratava de “assunto técnico, em que não é necessário avisar a população”, segundo a EPTV, retransmissora da Globo na região.

Os animais carregariam o carrapato-estrela, responsável pela transmissão da febre maculosa, doença que causou a morte de três funcionários do local. Diante do impasse e do risco da contaminação, as capivaras foram mortas. Junto da sensação de impotência, fica a pergunta mais importante nesse tipo de situação: matar será sempre a única alternativa nesse tipo de situação?

Sobre as capivaras
O habitat natural desse mamífero, o maior roedor do planeta, são as florestas úmidas, secas e matas próximas à água. “Se dividem em grupos com um macho dominante, diversas fêmeas com filhotes e alguns machos subordinados, mas a estrutura social varia bastante mesmo dentro da mesma população”, explica a Dra. Erika Hingst-Zaher, Pesquisadora do Museu Biológico do Instituto Butantan.

No Brasil, esses animais vivem harmoniosamente na região do Amazonas e Pantanal. O problema está há muitos quilômetros de distância.

De acordo com o Prof. Dr. Marcelo Bahia Labruna, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da FMVZ-USP, na década de 80 a carne de capivara virou moda. Fazendeiros paulistas compraram muitos animais, mas a empreitada não foi tão rentável e de repente os animais perderam a utilidade.

Soltas na fauna paulista não encontraram onças, jacarés e piranhas, seus predadores naturais. Em contra partida, sobrava alimento, pois com o boom do Pró-Álcool, o que mais tinha era plantação de cana-de-açúcar, refeição preferida da capivara.

Pronto. O cenário extremamente favorável fez do estado de São Paulo uma região perfeita para a proliferação do roedor. “Hoje a população de capivaras é 60 vezes maior do que na Amazônia”, conta o Prof. Labruna.

Capivaras x Febre Maculosa
Com tantas capivaras vivendo fora do seu habitat natural, aumenta o risco de transmissão da febre maculosa, doença fatal para seres humanos quando não detectada em seu início, situação que transformou esse simpático roedor em uma “ameaça urbana”.

“Mas não são as capivaras que ameaçam o homem, são os carrapatos-estrela, estes sim são contaminados pelas capivaras”, esclarece o prof. Labruna. “Isso acontece em um período de suas vidas, depois tornam-se imunes, mas desde que continuem nas áreas endêmicas onde são naturalmente ‘revacinadas’ por carrapatos infectados”

Ainda segundo o professor, se mudarmos os animais para um ambiente onde não há carrapatos infectados elas perdem a imunidade em cerca de um ano, voltando a servir de fonte de infecção no futuro. Outro aspecto é que, diminuindo o número de capivaras de uma determinada região, diminui a competição por comida, aumenta a oferta de alimento para os que ficaram e facilita a procriação da espécie.

Apesar do real perigo, nada foi feito para controlar esse aumento populacional. A situação, como de costume no país, foi empurrada com a barriga, e agora a bolha já dá sinais que vai estourar. Infelizmente o prejuízo ameaça, mais uma vez, ficar por conta dos animais.

 

Caso Campinas
De acordo com o Prof. Labruna, em 2009 um grupo técnico formado por profissionais da USP, Unicamp, UFMG, Sucen, Secretarias Municipais da Saúde, Ambiente e Agricultura de Campinas, decidiu que a única maneira de resolver o problema da Febre Maculosa no Lago do Café seria o sacrifício dos animais. O fato foi consumado no último dia 11 de março, gerando muitos protestos e sérias acusações.

Protetores acusam o poder público de deixar, propositalmente, o parque às moscas para que no futuro seja construído no local um condomínio. Também suspeitam que as capivaras, por serem animais ariscos, tenham sido mortas a tiros, e, muito pior, alegam que não puderam realizar a autopsia dos animais para que fosse comprovada a febre maculosa, pois não existiria um único laudo que comprovasse a contaminação.

Diante das acusações e dos e-mails que chegaram à ARCA desde o ocorrido, o prof. Labruna foi procurado novamente.

“Desde 2009 foi falado que eliminando as capivaras dessa área resolveria o problema em definitivo e não correríamos mais riscos no futuro em função de uma má administração pública”, responde o especialista que também participou da decisão.

No intervalo entre 2009 e 2011 mais uma pessoa morreu vítima da doença, óbito que poderia ter sido evitado se Prefeitura tivesse acatado as recomendações. “Desde então, capturas de carrapatos no ambiente do Lago do Café são feitas trimestralmente, até o mês passado, sempre constatando a presença de milhares de carrapatos estrela”, acrescenta o professor.

Em 2002 e 2005 foram colhidos carrapatos-estrelas e sangue para exame de febre maculosa. O resultado, pode ser encontrado no documento

O prof. Labruna comenta outros pontos defendidos pelos protetores: o Lago do Café não é o habitat natural desses animais, eles foram introduzidos lá. Campinas é o município com o maior número de casos de febre maculosa no Brasil. Foram 57 casos em humanos de 1998 a 2010, sendo que no Parque Lago do Café foram 4 casos com 3 mortes – a última em novembro de 2010.

De acordo a EPTV, filiada a Rede Globo, a delegada titular do setor de defesa dos animais de Campinas, Rosana Mortari, nesta quinta-feira (24) instaurou processo para apurar em que condições as capivaras foram mortas. O objetivo das investigações é saber se o sacrifício foi feito conforme as recomendações do IBAMA, uma vez que a delegada não foi avisada, portanto, não acompanhou o processo – A ARCA Brasil continuará de olho nesse caso.
 

Solução?
Os Estados Unidos vivem uma situação semelhante. Lá, veados podem hospedar um carrapato infectado e transmitir a Doença de Lyme aos humanos. Para driblar o problema, a Terra do Tio Sam, onde a caça é aceita, aumentou as cotas de abates dessa espécie.

“Felizmente aqui essa opção não foi adiante, pela força da militância e pelos temíveis efeitos colaterais em uma sociedade já por demais violenta”, analisa Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil.

Embora não seja fácil, é preciso o quanto antes encarar a questão de frente. “O mais importante é diminuir a oferta de alimento do animal. Seria impossível cercar todos os rios, então, o ideal é cercar plantações de milho e cana que ficam as margens de rios, além de barrar a passagem de pessoas em determinadas áreas e informar sobre a febre maculosa”, finaliza o especialista no assunto.

Engana-se quem pensa que o problema se restringe a São Paulo. As capivaras estão migrando para Minas Gerais e para o norte do Paraná, confirma que é necessário que o país enfrente a questão com profundidade. O episódio em Campinas demonstra que a sociedade não irá aceitar o extermínio sumário dessas populações sem que seja investido nas causas do problema. Mais que omissão, isso seria uma grande covardia.

Saiba mais: Capivaras urbanas

 

 

DEIXE O SEU COMENTÁRIO:

Nome:

E-mail:

Cidade:....Estado:
.

Comentário:

   

Obs.: Seu comentário, ou partes dele, poderão ser utilizados, com os devidos créditos, nos veículos e eventos da ARCA Brasil.


18 anos promovendo o bem estar e a proteção de todos os animais!

Associe-se à ARCA!


Confira sempre
as novidades














Cereal Brasil apóia os nossos trabalhos em defesa dos animais.

A ARCA Brasil tem o apoio da Anuncie aqui!