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Desastres: quando ajudar é preciso
Animais dos quatro cantos do mundo sofrem em conseqüência de catástrofes naturais. No Japão ou no Brasil, as necessidades e os dramas são parecidos
VANESSA GONZALEZ
em colaboração para o Notícias da ARCA
Desde janeiro, a ARCA Brasil acompanha a situação dos animais na região Serrana do Rio de Janeiro, cenário da maior catástrofe natural do país. Neste meio tempo, o mundo assistiu como nunca antes imagens de um grande desastre no Japão: um terremoto de magnitude 9 seguido de um tsunami arrasador...
O resultado, mais de dez dias depois, é chocante. O número de mortos ultrapassa os 10.000 e 16 mil pessoas continuam desaparecidas. Como se não bastasse tanta tragédia, a usina nuclear de Fukushima virou uma bomba-relógio, com ameaça constante de vazamento radioativo.
Em meio ao caos, algumas cenas chamam atenção. Em primeiro lugar, a organização do povo japonês, que em momento algum entrou em colapso. Em segundo, o indestrutível vínculo entre donos e seus animais. Um amor, que, se para alguns parece estranho, para muitos sobreviventes é a única referência da vida que tinham antes. Quem pode julgar?
Vídeo: Cães a espera de resgate
A Humane Society International, parceira da ARCA Brasil está em terras japonesas para amparar os animais. Para ajudar, acesse o site, que permite inclusive doações.
Enquanto isso no Brasil...
O último Notícias da ARCA mostrou a atitude solidária de duas residentes da FMVZ-USP, Priscila Pedra e Priscila Rocha Yanai), que abriram mão do Carnaval para ajudar os animais vítimas das enchentes em Teresópolis (RJ). Selecionadas pela Kinship Circle, entidade humanitária norte-americana, e com apoio financeiro da ARCA Brasil, as duas jovens se uniram a um grupo de voluntários da América Latina e entraram em cena.
"Esperávamos encontrar muitos animais feridos e doentes, mas o cenário é outro. Poucos são os doentes, cerca de 20 num total de 200, a maioria são animais sadios e que precisam ser adotados” relata Priscila Yanai.
Analisando tudo o que foi feito até hoje e após os quatro dias que passou no local, Priscila faz um balanço. “Acredito que ações ‘vindas de fora’ sejam melhor concluídas em conjunto com as ONGs locais. Por exemplo, no caso do mutirão de castração, elas trariam os animais e ajudariam nos cuidados clínicos pós-operatórios, enquanto a ajuda externa providenciaria os veterinários e a infraestrutura necessária para as cirurgias, por exemplo, local e material cirúrgico”. Justamente por faltar essa organização, infelizmente o mutirão de castração da Kinship Circle não pode ser realizado.
Se no Brasil falta planejamento e estrutura para socorrer pessoas, para os animais a ajuda é mais amadora ainda. “É costume só nos preocuparmos quando já aconteceu. Com a freqüência de episódios como os de Santa Catarina, São Luis do Paraitinga e agora no Rio de Janeiro, creio que as faculdades vão começar a pensar nisso. Se for bem organizado e com uma equipe de confiança que lidere, a sociedade vai reconhecer e ajudar”, afirma a Veterinária Solidária, Dra. Vanessa Muradian.
Galeria de fotos
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Créditos: Priscila Yanai |
Nova Friburgo: Desorganização e descaso
Diferentemente de Teresópolis e principalmente por conta do descaso público, Nova Friburgo, também na Região Serra (RJ) ainda amarga as tristes conseqüências das enchentes. A primeira frase da responsável pela entidade Combina - Companhia dos Bichos e da Natureza, Juliana da Mata, em entrevista ao Notícias da ARCA, resume o quadro: “Ainda estamos sem luz e não há previsão disso ser resolvido”. Imagine ficar sem energia elétrica por mais de três meses, abrigando cerca de 250 animais?
“Faltam ônibus, tem fossa aberta no meio da rua e criança vivendo nesse meio, um horror. Aqui, tanto os animais, quanto as pessoas estão sofrendo”, desabafa. As chuvas de sábado último (26.03) provocaram novas enchentes no centro da cidade, devido aos bueiros públicos entupidos; em um antigo posto de saúde 120 pessoas – entre elas cerca de 60 crianças – estão em condições precárias.
Segundo Juliana, além das dificuldades estruturais, uma parte do abrigo da Combina continua inutilizada e ainda há quem deixe animais em sua porta. “Já abandonaram cerca de 12 cães, sendo algumas fêmeas prenhes”.
Não podemos nos iludir, a situação para os animais nas cidades atingidas pelas chuvas e deslizamento de terras na região Serrana do RJ levará meses, senão anos, para se normalizar. “As atenções foram voltadas para essa tragédia e isso tem um lado bom. Precisamos ajudar a Combina a encontrar lares para os seus animais”, conclama Marco Ciampi, presidente da ARCA Brasil. “Fazemos um apelo especial aos moradores das cidades vizinhas, inclusive de Minas”, conclui.
Apelo: Atenção colegas jornalistas do estado do Rio de Janeiro, Nova Friburgo merece atenção da mídia. As pessoas e os animais ainda precisam de ajuda!
Saiba mais:
Os animais – ainda – pedem socorro
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