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Agosto 2011

Passeadores de cães: atenção na escolha
Os “dogwalkers” se tornam opção para animais que não têm com quem passear. Confira o que você precisar saber antes de contratar o serviço

VANESSA GONZALEZ
Em colaboração para o Notícias da ARCA

 

O personagem mais recente da cena urbana de algumas cidades brasileiras já é figura conhecida em países como EUA, Inglaterra e Argentina – quem visita Buenos Aires volta encantado com os famosos paseadores de perros.

Mas afinal, quem são e como atuam os dog walkers? Conheça melhor esse serviço que ainda gera dúvidas e alguns problemas por aqui.

“Escute” o animal
Com a correria do dia a dia, a advogada Carolina Vasconcelos, de Belo Horizonte, se preocupava com as suas duas coockers, Katita e Pamblita. “Não tinha tempo de sair com elas. As duas são muito agitadas e necessitam de uma rotina de passeios que nem sempre podia oferecer.”

Carolina fez a lição de casa dos donos conscientes: procurou distração e atividade física e mudou a rotina das peludas: contratou uma dog walker.

Mesmo com todo carinho e acompanhamento, uma delas não gostou dos passeios. “A mais agitada ficou agressiva comigo, era como se não me conhecesse, parecíamos duas estranhas. Na volta ela ficava arredia, quieta no canto dela.”, conta Carolina.

Diante do comportamento estranho da mascote, a passeadora e a dona chegaram a conclusão que era melhorar parar por ali. “Era essencial eu me reaproximar, para que ela tivesse um referencial de quem era realmente sua dona.”, recorda Carolina. “Hoje nossa amizade é sólida, somos parceiras de passeio e de vida”. A advogada cancelou o serviço e agora ela e seu irmão passeiam com as duas praticamente todos os dias.

Além de observar com cuidado o comportamento, não extrapole a condição física do mascote.“É importante adaptar o passeio de forma individual, respeitando os limites de cada um e sem causar danos ao organismo. Escadas devem ser evitadas, assim como forçar o animal a correr ou saltar sem prévia avaliação do seu sistema locomotor.”, explica a Veterinária Solidária e Especialista em Comportamento Animal, Dra. Rubia Burnier.

Cuidados na contratação
Segundo a especialista, os donos devem avaliar o profissional em ação. “Como se relaciona e interage com o animal pela primeira vez, se demonstra confiança e carinho, se tem mais de 18 anos e se possui experiência.”

Outras dicas incluem maior dedicação do dono. “Ele deve caminhar junto nas primeiras vezes, não só observando o comportamento do animal, mas as atitudes do passeador, a duração e frequência dos passeios, e acima de tudo, a presença do kit: coleira, guia, cata caca e garrafinha de água.”, diz Dra. Rubia.

Os donos devem lembrar que a profissão de passeador ainda é informal no Brasil. A assessoria de imprensa do Conselho Regional de Medicina Veterinária de SP (CRMV-SP), disse que o órgão não abrange esses profissionais porque ainda não existe uma legislação específica.

E assim, de maneira informal, prestam serviço a pet shops, trabalham por conta própria ou encaram o ofício como forma de aumentar a renda. Errado não é, o jeitinho brasileiro ajuda, mas por não ter fiscalização o proprietário deve redobrar a atenção e checar as referências do prestador de serviço.

A psicóloga Fernanda Duprat Assumpção, lar transitório da sapeca vira-lata Jujú*, levou um grande susto. “Quando fico muito tempo no trabalho peço para um zelador de muita confiança passear com a Jujú. Um dia ele me ligou desesperado dizendo que ela tinha fugido. Assustada, liguei na portaria do prédio e, pra minha surpresa, ela já estava lá.” Um final feliz de dar frio na barriga.

“Caminhar diariamente, socializar-se, gastar energia e brincar é fundamental para a saúde física e emocional, é preciso saber escolher  bem ao contratar o serviço. Afinal de contas, quem ama de verdade seu animal não vai delegar a um estranho a responsabilidade de levá-lo para a rua” alerta a Dra. Rubia. “Brigas, fugas, queimaduras nas almofadinhas das patas, lesões articulares, trancos no pescoço, puxões etc. são riscos inerentes que devem ser evitados.”, complementa.

Já a Veterinária Solidária da ARCA Brasil, Dra. Fernanda Kerr destaca outro detalhe muito importante: “Não se esqueça de identificar seu animal com uma medalha na coleira e com microchip. Acidentes como o ocorrido com a psicóloga Fernanda, podem acontecer”.

Busque o melhor
Felizmente existem passeadores que aliam o amor que sentem pelos animais, com preparo e qualificação profissional. Para atender essa demanda, que segundo o SEBRAE cresce a cada dia, cursos especializados em dog walkers são oferecidos em várias cidades brasileiras.

O ideal para todo cachorro, segundo todos os entrevistados, é o bom e o velho dono, mas se isso não é possível, um passeador qualificado é muito bem vindo.

Se você leu essa matéria, não tem um cão e gostaria de ser um passeador, procure o CCZ de sua cidade e seja um voluntário!
Info em SP:  (11) 3397-8900/01/55


* A Jujú está para adoção. Os interessados em conhecê-la devem mandar um e-mail para
comunicacao@arcabrasil.org.br

 

DICAS PARA UM PASSEIO PRAZEROSO, SAUDÁVEL E SEGURO

- Passeador. Pesquise o profissional. Contate outros proprietários, peça referências.

- Informe as características do cão. Jovem, idoso, castrado, anti-social, medroso, agitado, calmo, preguiçoso, adora passear etc.

- Restrições médicas. O veterinário deve orientar a quantidade, duração e freqüência de exercício para cães idosos, com problemas de articulação, de coluna, quadros epiléticos, convulsivos, cardiopatias e obesidade.

- Acessórios. Identificação, coleira ou peitoral confortável, guia reforçada. Enforcador e focinheira (para algumas raças é obrigatória). Garrafa de água e cata caca.

- Vacinação atualizada. Vermifugação em dia e proteção contra pulgas e carrapatos mensal.

- EVITE: se for uma cadelinha não castrada, evite sair no cio!  

- EVITE: No verão e dias quentes, evite horários de alta temperatura. Além de queimar a pata do animal pode colocar sua vida em risco devido à hipertermia. Cães peludos, pretos ou que usam focinheira... cuidado redobrado!

- EVITE: Passeadores que saem com muitos animais, de porte, idade, raças e mistura de raças distintas. As necessidades de cada um são diferentes, portanto seu animal não terá suas particularidades atendidas.

- Em caso de emergência. Oriente o passeador. Telefones de contato, no caso do veterinário ser no bairro, o passeador pode levá-lo diretamente ao local ou não etc.

 

 

 

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