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Setembro 2011
Cães ‘ferozes’. Ferozes?
Projeto de Lei prevê que donos de cães carreguem armas paralisantes ao passearem com seus animais
da redação do Notícias da ARCA
O conceito de agressividade canina é – mais uma vez – aplicado de forma errônea e preconceituosa. O vereador por São Paulo Aguinaldo Timóteo (PR) criou o PL 00456/2011 que prevê que os donos de cães ‘ferozes’ (o vereador não especificou as raças) andem com armas paralisantes ao passearem com seus peludos.
De acordo com o texto esses proprietários “deverão portar arma paralisante quando acompanhados de seus cães em local público, sem prejuízo do uso de focinheira e guia de contenção”. Ainda segundo o PL, arma paralisante é ”todo e qualquer artefato capaz de, mediante uma única descarga, deter instantaneamente e por completo uma ação violenta do cão”. (veja a integra do PL ao final)
O PL é, no mínimo, equivocado e desnecessário nesse momento em que se investe em uma nova consciência na relação homem-animal. “Toda estratégia para educar que utilize dor e truculência é condenável, pois não ensina nem previne coisa alguma”, afirma a V.S. Rubia Burnier, profissional com especialização em comportamento animal.
Rubia diz ainda que essa medida pode desenvolver problemas futuros para o cão, como torná-lo fóbico e mais agressivo. “Um cão com medo se torna muito reativo e mais propenso a agressividade”, explica.
O desconhecimento e o preconceito com cães de raças consideradas ferozes é muito grande. Isso é sentido pela reação das pessoas, por exemplo, quando o dono de um pitbull o leva a passear. Em 2003, entrou em vigor a Lei 11.531 que obriga o uso de focinheira pelas seguintes raças: pit bull, mastim napolitano, rotweiller e americam stafordshire terrier. Veja aqui orientações organizadas pela ARCA sobre o assunto.
A Lei busca dar mais segurança a sociedade, mas e os animais? Não houve quase nenhuma orientação e pouca gente se adquiriu a focinheira adequada para o peludo.
Focinheira não é ‘universal’ e deve ser comprada com responsabilidade! Cada cão tem um padrão a ser observado. Segundo a Veterinária Solidária Fernanda Kerr, é fundamental observar se o animal terá como abrir a boca para respirar normalmente e fazer a troca de calor (quando o cão fica ofegante, com a língua de fora).
“A focinheira cromada que parece um ‘cesto’ é mais indicada para passeios, pois permite que o cão abra a boca, consiga beber água e respire com facilidade”, orienta Dra Fernanda.
PL na contramão
Esse PL chega num momento em que cães de raças como pitbull tem sido abandonados e precisam de todo apoio da sociedade, substituindo o preconceito que se criou por conhecimento das necessidades e características desses animais.
A agressividade do animal depende de como ele é criado, e não, exclusivamente, de sua genética. “Tudo começa e termina no homem. O bem estar dos bichos depende do grau de consciência e de responsabilidade do dono”, conclui Dra Rubia.
Saiba mais:
Pitbulls: caça às bruxas
A ‘infelicidade’ de nascer pitbull
A ‘infelicidade’ de nascer pitbull – parte dois
PROJETO DE LEI 01-00456/2011 do Vereador Agnaldo Timóteo (PR) Agnaldo Timóteo |
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