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Questões
Frequentes |
O caso de Suiça reacende a polêmica em torno dos zôos
Quando
ocorre uma tragédia, há várias maneiras de reagir.
Podemos simplesmente lamentar o fato; podemos nos revoltar e adotar
medidas extremas; ou transformar o acontecimento em objeto de análise,
para em seguida buscar meios de transformar a realidade.
A ARCA Brasil sempre apostou na terceira alternativa. A morte por envenenamento de diversos animais no Zoológico de São Paulo entre os anos de 2003 e 2004 foi motivo mais do que suficiente para a ARCA convocar a sociedade para uma reflexão sobre o papel dos zoológicos na sociedade contemporânea.
A triste vida e precoce morte da chimpanzé Suíça no Zôo de Salvador reacende a discussão. Não importa se o animal recebia ou não alimentação adequada e cuidados veterinários -- nestes quesitos, parece que a instituição não deixava a desejar. O que questionamos é: qual é a validade educacional de observar animais aprisionados? E como assegurar o "bem-estar" de um animal quando o privamos de direitos básicos, como o de ficar em liberdade e interagir com outros de sua espécie?
Chimpanzés são animais com forte espírito gregário. Formam famílias, que por sua vez se unem em grupos bastante coesos. Na natureza, as mamães chimpanzés ajudam umas às outras nos cuidados com a prole; e, quando eventualmente os machos caçadores abatem uma pequena presa, a carne é repartida entre os membros do clã.
Encarcerados nas jaulas de circos e zôos, estes animais são privados das condições de exercerem seus comportamentos naturais. Por isso, quando o promotor Heron Santana, da Procuradoria do Meio Ambiente de Salvador, pediu habeas corpus para Suíça, ele não somente abriu um precedente único (foi a primeira vez que a esfera jurídica tentou estender a um animal um direito considerado fundamentalmente humano): ele também colocou em xeque, mais uma vez, o direito de se aprisionar animais para que estes sirvam à curiosidade humana.
É uma pena que o juiz responsável pelo processo tenha
negado não somente o habeas corpus, como também a transferência
imediata de Suíça para um santuário em Sorocaba
(SP). Tudo indica que neste local ela poderia, pelo menos, compartilhar
da companhia de outros primatar e saborear o prazer de subir em ávores,
pular nos galohos, comer fruta no pé. Ao pedir "mais tempo
para examinar o assunto", o juiz privou Suíça de
um mínimo de alegria e liberdade em seus últimos dias.
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